
SOMOS - Qual suas propostas para a Política Municipal de DST/Aids?
M.R. - A Política Municipal de DST/Aids do atual Governo foi desqualificada e desastrosa. Faltaram medicamentos na rede, desmontaram o programa municipal construído em parceria com o Governo Federal, faltaram insumos básicos como camisinhas e gel lubrificantes, não respeitaram a construção do Programa de Ações e Metas.
Nossa proposta é retomar o que havíamos construído nos Governos anteriores da Administração Popular e avançar ainda mais. É preciso repactuar com o Governo Federal e com a sociedade civil, através das instâncias já constituídas, e com o aval do Conselho Municipal de Saúde. Além da prevenção, é necessário que as políticas de tratamento sejam qualificadas, melhorando a distribuição dos medicamentos e acompanhamento aos pacientes.
SOMOS - Vossa Senhoria considera suficientes e qualificados os recursos humanos que atendem a política municipal de DST/Aids?
M.R. - Os profissionais que atuam na saúde são, na sua maioria, qualificados, entretanto, a equipe diminuiu e os casos de AIDS cresceram. O Ambulatório de Dermatologia Sanitária sofreu ameaça de fechamento por parte da Prefeitura no processo de municipalização. O Prefeito preferia ter ali uma estrutura administrativa e deixar de atender os mais de 10 mil pacientes vinculados ao Ambulatório, em sua maioria pessoas com DST, HIV/AIDS, hanseníase e dermatites diversas. Tudo isso sem qualquer diálogo com os Conselhos de Saúde.
SOMOS - O que V. Senhoria acha sobre o deslocamento da política de redução de danos para a saúde mental?
M.R. - A magnitude do problema e o crescimento do uso abusivo de drogas nos últimos anos em nossa cidade ganhou proporções tão graves que hoje tornou-se prioridade na saúde pública. O SUS já incorporou esta discussão das drogas no campo da Saúde Mental com uma política de redução de danos. O que temos que fazer é qualificar os profissionais que atuam nesta área, que devem trabalhar em parceria com os profissionais que trabalham na Política de DST/Aids. A criação dos Centros de Apoio Psicossocial (CAPS) será uma das prioridades do Governo da Frente Popular, completando a Reforma Psiquiátrica e permitindo o tratamento adequado das pessoas com sofrimento psíquico e dependência química.
SOMOS - Como qualificar os programas municipais de prevenção às DST/Aids?
M.R. - Oferecer aos trabalhadores e trabalhadoras do Programa Municipal de DST/Aids capacitações técnicas, com recursos oriundos de cooperação técnica nacional e internacional e ampliar as equipes. Melhorar a distribuição pública de preservativos, que não podem faltar nas unidades básicas e postos de saúde.
SOMOS - Como será sua gestão na área dos direitos humanos?
M.R. - A Secretaria Municipal de Direitos Humanos foi criada na gestão da Administração Popular e foi fundamental no processo de articulação e integração das diferentes secretarias de governo e da sociedade civil na área de Direitos Humanos. Temos que qualificar as Assessorias, investir no desenvolvimento de pesquisas, retomar os Grupos de Trabalho inter-setoriais, impulsionar o Conselho Municipal de Direitos Humanos, qualificar a Guarda Municipal, entre outras iniciativas.
É preciso retomar a discussão sobre a criação de um Conselho Municipal de Promoção da Cidadania LGBT, composto por diversas secretarias e por membros do movimento LGBT de Porto Alegre. Este conselho deve ser ágil e possibilitar um maior controle social e monitoramento das ações. Também é necessário que o Centro de Atendimento às Vítimas de Violência dê atenção especial à comunidade LGBT.
SOMOS - Os direitos humanos serão priorizados durante sua gestão? Como?
M.R. - Os Direitos Humanos são fundamentais numa cidade como a nossa. Aliás, temos incorporado em nosso Programa de Governo o conceito do Direito Humano Fundamental à cidade sustentável. É preciso que a Política de Direitos Humanos seja transversal e integre todas as políticas públicas.
SOMOS - Qual sua posição a respeito do casamento entre pessoas do mesmo sexo?
M.R. - Apoiar o projeto nacional em discussão no Congresso Nacional. Como Deputada Federal atuo na Frente Parlamentar Pela Livre Expressão Sexual e tenho projetos nesta área. No Governo Municipal não será diferente. Foi no nosso Governo que criamos a Assessoria Para Livre Orientação Sexual. Graças à ação de nossa bancada no Legislativo Municipal, foram criados a proibição de discriminação por orientação sexual através do art. 150 da Lei Orgânica do Município, o dia da Consciência Homossexual, o Dia da Visibilidade Lésbica e contra a Homofobia. O Executivo, na gestão da Frente Popular, propôs a criação do Conselho Municipal de Direitos Humanos. É assim que trabalhamos. Nossas propostas são traduzidas em ações, por isso defendemos os Direitos Humanos LGBT no Programa de Governo.
SOMOS - Qual sua posição a respeito da descriminalização do aborto?
M.R. - Segundo dados do Dossiê Aborto de 2005, o aborto é a 5ª causa de morte materna no Brasil. Portanto, é um tema que se relaciona à saúde pública. A freqüente recorrência a procedimentos clandestinos revela desigualdades sociais e diferenças de classe e geração. A maioria das vítimas são mulheres muito jovens e pobres. Isto demonstra que os desafios perante este tema são bastante amplos e não deve ser restrito às conseqüências, mas também às causas. Encaro este tema no Congresso Nacional sob esta perspectiva.
SOMOS - Qual sua posição a respeito do Estado laico?
M.R. - Sou favorável. Hoje podemos considerar o Brasil um Estado politicamente laico.
SOMOS - Vossa Senhoria considera saudável a presença de símbolos religiosos nas escolas públicas?
M.R. - O importante é preservar o respeito à liberdade religiosa, mas ao mesmo tempo garantir a neutralidade institucional.
SOMOS - Vossa Senhoria considera a Parada do Orgulho LGBT saudável para a democracia de Porto Alegre?
M.R. - Homofobia não combina com democracia. E as Paradas do Orgulho são manifestações públicas que dão visibilidade a esta agenda. Esta é uma importante data não só para o movimento LGBT, mas para todos os cidadãos e cidadãs. As manifestações devem ser apoiadas pela Prefeitura. Esta data está no calendário oficial de Porto Alegre e é fundamental para a construção da cidadania e o respeito às diversidades.
